Ás vezes me pergunto se as pessoas não tem a curiosidade de
saber como, de uma hora pra outra , uma menina de rosto “quase” infantil (
quase, por favor) surgiu no meio das duas outras colunas semanais , com idéias
meio absurdas e inusitadas.
Me sinto no dever de explicar a razão de minha foto e meus
dilemas estarem uma vez por semana nitidamente impressos nessa segunda página.
Acontece , que desde que aprendi a escrever ( o que
aconteceu um pouco antes de meus coleguinhas de turma), eu sou assim. A
intenção naquela época era conseguir entender os joguinhos de lógica que minha
tia fazia , insisti até ser alfabetizada por ela , o que nenhuma de nós
imaginava , é que o meu forte não eram as palavras cruzadas ou os sete erros
nas figurinhas , eu estava destinada às crônicas.
Tenho que dizer que pulei muita corda e muito muro, fugi
inúmeras vezes da escola, passei horas assistindo desenho animado,brinquei de
boneca e cortei meu queixo sete vezes ( o que com certeza não fiz rezando). Mas sempre arranjava aquele tempinho
pra recorrer ao vício , os livros .
Eu tinha uma coleção considerável de poesias , poemas ,
histórias e crônicas , quando resolvi ouvir o conselho da minha mãe e de uns
amigos , e fui bater no portão da redação do jornal (na verdade eu apertei o
interfone).
Lá estava eu com o cabelo repartido de lado , uma pasta com
textos numa mão e a outra no bolso , esperando alguém vir falar comigo.Fiquei
nervosa quando me pediram pra mostrar o “material” , mas a simpatia com que fui
recebida aliviou a tensão , e até hoje me pergunto como pude conter minha
euforia quando ganhei dois ingressos pra festa de comemoração de um ano do
jornal e uma coluna todinha só pra mim.
Agora imagino meu trajeto ao longo da semana: na sexta mando
a crônica , na segunda o fechamento da edição,quarta alguém lê enquanto toma um
café da manha e na quinta provavelmente , está a minha cara na gaiola do
papagaio, na gaveta empoeirada, ou na área do cachorro fazer suas necessidades
, imagino cinco gotas de “pipi-dog” em cima do meu rosto.
Mas tá tudo bem , afinal , não espero que ninguém além do
pessoal aqui de casa guarde quatro jornais por mês . Jornais servem para ser
lidos e instantaneamente descartados, é a ordem natural das coisas.
O que não é descartável são as risadas que consigo arrancar
das pessoas, os comentários ou perguntas que me direcionam , a mensagem que
capturam , pois era essa a intenção enfim, o que ninguém imagina é que toda
semana está impressa também uma parte de mim , por sinal , a melhor parte que
consigo oferecer ao mundo e é por isso que vou sempre gostar de saber o que
você achou disso tudo.
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