domingo, 15 de janeiro de 2012

Como a minha cara foi parar no seu jornal


Ás vezes me pergunto se as pessoas não tem a curiosidade de saber como, de uma hora pra outra , uma menina de rosto “quase” infantil ( quase, por favor) surgiu no meio das duas outras colunas semanais , com idéias meio absurdas e inusitadas.
Me sinto no dever de explicar a razão de minha foto e meus dilemas estarem uma vez por semana nitidamente impressos nessa segunda página.
Acontece , que desde que aprendi a escrever ( o que aconteceu um pouco antes de meus coleguinhas de turma), eu sou assim. A intenção naquela época era conseguir entender os joguinhos de lógica que minha tia fazia , insisti até ser alfabetizada por ela , o que nenhuma de nós imaginava , é que o meu forte não eram as palavras cruzadas ou os sete erros nas figurinhas , eu estava destinada às crônicas.
Tenho que dizer que pulei muita corda e muito muro, fugi inúmeras vezes da escola, passei horas assistindo desenho animado,brinquei de boneca e cortei meu queixo sete vezes ( o que com certeza não fiz  rezando). Mas sempre arranjava aquele tempinho pra recorrer ao vício , os livros .
Eu tinha uma coleção considerável de poesias , poemas , histórias e crônicas , quando resolvi ouvir o conselho da minha mãe e de uns amigos , e fui bater no portão da redação do jornal (na verdade eu apertei o interfone).
Lá estava eu com o cabelo repartido de lado , uma pasta com textos numa mão e a outra no bolso , esperando alguém vir falar comigo.Fiquei nervosa quando me pediram pra mostrar o “material” , mas a simpatia com que fui recebida aliviou a tensão , e até hoje me pergunto como pude conter minha euforia quando ganhei dois ingressos pra festa de comemoração de um ano do jornal e uma coluna todinha só pra mim.
Agora imagino meu trajeto ao longo da semana: na sexta mando a crônica , na segunda o fechamento da edição,quarta alguém lê enquanto toma um café da manha e na quinta provavelmente , está a minha cara na gaiola do papagaio, na gaveta empoeirada, ou na área do cachorro fazer suas necessidades , imagino cinco gotas de “pipi-dog” em cima do meu rosto.
Mas tá tudo bem , afinal , não espero que ninguém além do pessoal aqui de casa guarde quatro jornais por mês . Jornais servem para ser lidos e instantaneamente descartados, é a ordem natural das coisas.
O que não é descartável são as risadas que consigo arrancar das pessoas, os comentários ou perguntas que me direcionam , a mensagem que capturam , pois era essa a intenção enfim, o que ninguém imagina é que toda semana está impressa também uma parte de mim , por sinal , a melhor parte que consigo oferecer ao mundo e é por isso que vou sempre gostar de saber o que você achou disso tudo.

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