Não levei muito tempo para descobrir como na verdade todos temos um pouco em comum, um pouco até demais diga-se de passagem. Eu, você, e alguém lá do outro lado do mundo, todos nós passamos por experiências únicas, e talvez tenhamos um infinitude de interpretações diferentes, baseadas em nossas culturas, nossas origens, e na maneira singular e irrepetível de como pensamos e ocupamos o mundo com nós mesmo.
Mas ademais de todas esses detalhes que nos compõe, e comumente nos fazem discordar e concordar acerca de muitos pontos, somos humanos no final. É, nós somos gente, e gente mesmo, de carne e osso, massa cinzenta, coração pulsante, e a necessidade insubstituível de respirar ar puro, beber água límpida e atravessar fronteiras. Sem isso vamos sucumbindo, pouco a pouco, negar isso a alguém é nega-lo como humano. Mas o que vim falar aqui hoje, não é a respeito dos direitos humanos como um todo, apesar de que, estes muito me interessam, e tenho o compromisso interno de respeitar e lutar por eles o quanto puder. O que vim falar hoje, é sobre uma real demanda humana, tantas vezes sucumbida pelo cotidiano, pela sociedade, ( pela modernidade?!) e por relações pesadas. Eu escolhi falar sobre o tempo.
Este tempo ao qual me refiro, não é aquele nosso velho conhecido que é marcado por horas, minutos e segundos; nem sobre fases especificamente, sobre eras, ou sobre a forma como usamos o rodopiar da própria Terra e da Lua para delimitar ciclos. Eu falo do tempo incontável, imprescindível e nada palpável, falo do tempo de cada um, o tempo que da mesma maneira que é cobrado de cada ser vivo no instante em que é gerado, também lhe é concedido, pra ser só eu, e respeitar somente as leis e os marcos de sua própria natureza.
As flores de maio, agora perto de florir, só nos dão o privilégio de sua companhia uma vez ao ano, por todo um mês. Os ipês de meu amado cerrado, aparecem prenunciando a primavera, e ficam conosco enquanto ela durar, cerca de três meses, e isto é uma estação. Mas ao contrário das flores, não sabemos o momento exato de florir, não nos foi dada a obrigação de corresponder a um ciclo, e ser verão ou outono em prazos pré-definidos e inquebráveis. Nós podemos florir por um ano inteiro, da mesma forma como pode chover em nós por anos e anos. Eu achei não conhecer um inverno rigoroso, mas meses atrás eu o vi em mim, e isso me fez feliz. Me fez feliz porque ser gelado é melhor do que ser deserto, e ter montes de neve em cima de um solo fértil e ávido por calor é só uma maneira da natureza, de renovar a vontade da terra de se reencontrar com o sol, e quando isso acontece ... eu não preciso dizer, mesmo pra nossa fauna que é poupada de neve, ver os pingos de água na terra sedenta, já é sentir o verde, que pela manhã já há de ressurgir. Eu soube naquele momento que voltar a florir era o inevitável, mas no momento certo.
Aos que muito esperam, por dias melhores, por oportunidades grandes, por um lugar no coração de alguém, ou pelo que quer que seja: não façam da sua impaciência um jeito de se impedir de ser feliz com o que já se tem. Tempos difíceis, crises e corações fechados, provavelmente eles não escolheram ser como são, e se pudessem deixariam de sê-lo o quanto antes. Lembro que quando menina, injuriada pela demora que minhas mudinhas faziam para crescer, minha mãe me disse para que conversasse com elas todos os dias, as regasse, colocasse ao sol pela manhã e acompanhasse calmamente seu desenvolvimento. Tão logo meus vasinhos estavam repletos de brotos.
Depois disso foi comigo, a vida inteira. Vigiar casulos por semanas, para pelo menos uma vez na vida ver o despertar de uma borboleta_e eu consegui_, aguardar resultados, insistir ''delicadamente'' em causas e pessoas.
Amor é deixar o tempo de cada um falar por si mesmo. É um direito que não se deve negar a ninguém. E eu que tão ansiosa e passional me flagro ás vezes, dou uma pausa ao mundo para dizer: sente-se aí, tome um café, e aguarde, depois de feita a sua parte, o tempo, aquele que é seu, se encarregará de todo o mais.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Tudo bem, ou quase isso
Acabou de acontecer de novo, exatamente como eu já não só
era capaz de deduzir como previ, e comentei com aquela amiga, e anotei no caderninho
e concordei quando alguém me disse que seria exatamente assim. Nesse instante
em particular consigo até imaginar uma vozinha interior dando risadas do meu
estômago, que por sinal tá sentindo um friozinho anormal nesse calor de fim de
verão, e da minha mente que já quebrou um novo record de nós nos últimos meses.
Sabe nos desenhos quando a consciência de algum personagem
se divide em duas versões dele mesmo, pequenininhas, uma boa e uma má, uma
diabólica e outra angelical? Pois bem, é como se essas pequeninas ‘’eu’’ estivessem
bem aqui agora, cada uma sentada em um ombro, a malvada fica repetindo coisas
como ‘’ bem feito, acho é pouco, você não aprende não’’ e a boazinha, que nessa
hora nem tão bondosa é assim de fato, franze as sobrancelhas e diz ‘’ é, eu te
avisei’’!
É lógico que eu não precisava de todas essas metáforas só
pra dizer que bem, só pra não perder o costume, eu me boicotei, engolindo
minhas próprias frases motivacionais de como eu posso ser independente e de
como essa coisa toda de gostar não me pegava tão cedo. Mas acontece que eu sou
assim, e penso assim, em desenhos animados e em erros repetidos. E acontece
também que esse é o melhor jeito que encontrei pra me explicar também.
Apesar de todos os pesares e de todas as advertências e auto
advertências ignoradas, tem tudo: decepção, desilusão, aperto no peito, e até
uma ruguinha temporária na têmpora, mas nem um pingo de arrependimento. E até
por isso que estou nesse exato momento mandando todas essas vozes interiores
com suas frases montadas irem ver se eu tô la na esquina, eu só fiz o que eu
quis, e poxa, eu me diverti muito!
Lágrimas? Isso não! Nem pensar! Não foi pra tanto, foi pra
pouco, e pra pouco tempo também, é claro que eu sabia que ia ser algo assim,
breve e inusitado, e que iria incomodar no final, dar um gostinho de se querer
mais, e morrer na praia. Ora, ninguém morre por ficar na vontade, não eu, e
além do mais, se eu não soubesse até hoje que tem coisas boas que são boas
exatamente por terem de ser um tanto moderadas, casuais e raras, jamais teria
conseguido seguir um regime, chocólatra que sou. Mas eu resisto numa boa quando
quero sabe? Lambo os dedos pra não desperdiçar nada, mas acabou, acabou, fim e
sem drama, depois tem mais, ou tem de outro sabor, ou simplesmente não tem e
sem grandes problemas com isso.
Eu ainda sou leiga nessa coisa toda, admito, e pretendo ser
assim até o fim dos tempos. Melhor não saber, e se a gente aplicar as experiências
passadas ou mesmo o que guardamos delas e repetirmos tudo tim tim por tim tim
nas futuras, que graça terá? Com isso não digo que não se deva levar a experiência
em conta, isso seria uma grande tolice! A gente sempre acaba aprendendo a ser
mais calmo, ou mais fechado, a cobrar e esperar menos, etc e tal. Mas querer
reproduzir no presente uma cópia do passado não dá né?! Cada pessoa é um mundo
inteiro, isso é que torna tudo tão interessante. E sabe o que mais? A gente
também é um mundo a parte, eu sou um mundo a parte! E se sou, melhorar é mais
que certo que eu devo, mas ser quem eu sou, assim, desse meu jeitinho
desastrado e essa cabeça dura pra lá de complicada, é o que me cabe, e devo ser
assim a quem a mim se apresentar, quem quiser me conhecer. Gostou? Fique a
vontade. Ficou confuso? Não seria novidade. Não bateu? Faz parte.
Não vá pensar que isso é só um consolo (apesar de que no
fundo é um pouquinho também), mas eu fico até feliz por sentir acelerado o
coração, o mesmo que até pouco tempo atrás batia tímido e sem vontade. Pra ser
sincera ele entrou nesse ‘’rock’’ todo bagunçado, e agora ensaia sua saída à
francesa quase reabilitado, e sei que falta pouco, pra ele voltar a ser só o
que sempre foi, um tolo estúpido e romântico, completamente orgulhoso desta
condição.
Eu não me apaixonei, mas foi por um triz, confesso, fico
grata por esses dois fatos, primeiro porque não foi paixão com todos seus
terríveis e doces ardis, Deus sabe que não estou pronta pra essa loucura ainda,
mas muito também porque eu me lembrei que sou capaz de me encantar, e de ganhar
alguns sorrisos _em cima dos meus próprios sorrisos_ e alguns carinhos de
volta. Eu ainda consigo achar alguém uma graça !!! Achei que não seria mais
capaz de tanto, me redescobri até ensaiando conversas e marcando datas, sem
desespero, sem angústia, só puro apreço.
Traguei agora o ar da madrugada, já deveras bem mais aliviada
que no começo deste texto, porque finalmente tive_ de início, meio e fim;
loucura, carinho e desejo_ a prova de que está quase tudo voltando ao normal,
estou quase inteira, devaneando com caprichos e bobagens, sem razão, sem
sentido, sem ( e com todo o meu) jeito!
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Gratidão
Sabe quando você é criança e perde sua mãe de vista dentro
do supermercado lotado e se sente completamente desesperado, não sabe se chora,
se procura mais um pouco, se nunca mais vai vê-la? É mais ou menos assim que me
sinto ás vezes. Mas nada haver com mães, muito menos com supermercados, nem
mesmo com multidões, mas com certeza, e com toda possível, tem a ver com este
medo de estar perdido (mesmo quando a razão fosse completamente capaz de lhe
mostrar, que, na situação hipotética sua mãe jamais sairia daquele lugar sem
você, e na vida real nada do que é seu ou do que realmente importa lhe deixaria
pra trás, assim a mercê da sorte, mais por instinto do que por qualquer coisa,
só porque, o que é seu tá guardado, ninguém tira).
Sendo bem sincera, não me sinto muito em plena capacidade de
dar conselhos aos outros, e acabei de reparar que foi mais ou menos o que fiz a
minha vida toda. Sempre tentei ouvir as pessoas quando o assunto eram elas,
tentando ao máximo entender suas posições e seus porquês, se você quer mesmo
saber acho que sempre fui boa com as pessoas_ mas devo dizer, apenas quando era
sobre elas_.
Quando o assunto era eu, nossa! Melhor ter cuidado. Quase
sempre na defensiva, ou mais sensível que o necessário, precisando usar de
palavras no mesmo tom ou de silêncio para fazer entender que eu não queria
saber, ou que já sabia demais. Sempre quis ter as rédeas da minha própria vida
e quantas vezes eu ouvi ‘’ você devia fazer isso’’, ‘’ você não pode fazer
assim!’’ ‘’ isso vai te fazer mal, está errado, é pouco, é muito, é demais!’’
Então foi isso que eu fiz, aceitei as pessoas que me faziam
receitas de como devia viver minha vida, entendendo que agiam assim porque se
preocupavam comigo, fui grata, mas confesso que me chateei muito por dentro com
isso. Aquilo de entrar por um ouvido e sair pelo outro nunca foi muito fácil
pra mim, sem querer eu filtrava, quase sempre até sem concordar, eu guardava
parte do que me falavam, não seguia, mas aumentava um pouco mais minha
confusão.
E daqueles que pouco se manifestavam, discretos, cuja as
opiniões eu ouvia sim, mas mais quando solicitava, me aproximei, e tendi a
achar que o bem que essas pessoas me queriam, não era de fato maior, mas era
mais leve.
Bem, eu descobri que estava enganada, a leveza tem de estar
em nós e apenas em nós mesmos. Quem tornava penosa as lições de moral ,e os comentários construtivos, ou mesmo os que
doíam, fui eu esse tempo todo! Ainda guardo pra mim muita coisa, antes de jogar
fora ou estar pronta pra saber o que fazer, mas descobri dentro de mim um lugar
onde isso não me deixa mais tão pesada e nem altera o que sou. As pessoas
queriam me ajudar o tempo todo, e eu achei por muito tempo apenas, que eu era
um pouco ruim, um pouco oca, um pouco vazia, e quando a gente se acredita
assim, principalmente sem ser de verdade, o vazio que criamos nos engole. Tá
vendo só? Minha mãe provavelmente deve estar ali no final da prateleira
procurando uma lata de achocolatado, e eu aqui achando que o estabelecimento
vai fechar comigo dentro sem ninguém.
Eu só quero fazer as pazes com a vida, e sei que essa
reconciliação vai vir aos poucos, sem cobranças e sem pressa. Tem cores ,
pessoas, cheiros e fatos que fazem a gente querer prolongar o tempo neste
mundo. Sempre soube, mas mais que nunca , vi a abundância disso tudo que tenho
pra desfrutar, e me oferecer como sou, tonta, dramática, medrosa... feliz. Se
feliz não estou, alegre me permito ficar, e sei que quando a felicidade
retornar, estarei enfim pronta pra recebe-la de braços abertos.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Sim
Estranho é estar aqui,neste mesmo lugar,e olhar para a janela e ver que o cenário continuou o mesmo,como uma memória intacta em tempo real.Me lembro de estar do lado de fora,olhando as estrelas,já pensei em tanta gente e tanta história fiz olhando o céu estralado,pra não pecar com a verdade recordo-me ainda de pensar que o céu me conectaria com quem eu quisesse estar,pelas estrelas,e somente por elas.Escrevi até uma vez,de que o luar jamais seria o mesmo,visto de um lugar diferente,mas que o sol sempre seria o calor que nos aqueceria a todos no final.Esse era o meu jeito de sentir saudades_como também o mesmo jeito de despistá-la_.
Eu que cresci em meio a idas e vindas apanho constantemente nisso de virar páginas,meus cadernos não me deixam mentir,são todos rabiscados,com linhas imaginárias e anotações em todos os cantos possíveis da folha.Tudo isso por um motivo certo:a dificuldade de começar em uma página em branco.
Mas vou me perdoar mais esta vez,não cabe outra escolha também,fazer as pazes consigo mesmo uma vez me disseram,ainda é o caminho mais curto para a felicidade.Vou me intrometer neste conselho e reformulá-lo,e me permitir da licença poética para inventar uma palavra,da qual preciso,assim como o sentido novo que ela traz;pouco me importa agora isso de felicidade,me interessa mais é a ''re-felicidade''.Minha palavra nova diz tudo por mim,esse instinto de recuperar o que é ser feliz,mas por outros meios,outras razões e outros motivos.Não é como quando algo ruim acontece e ficamos tristes,e depois nos apegamos as coisas boas,dessa vez,é preciso reconstruir tudo de novo,e inventar um outro mapa que leve ao que procuro ou que procura por mim.Ficar triste e depois deixar-se invadir de alegria é mais fácil,complexo mesmo é isso de abrir mão,de propósito ou não,de toda uma fonte de felicidade.
A vida e sua relação de ferro e fogo,tapas e beijos,amor e ódio,comigo.Não somos perfeitas,escorregamos,fraquejamos,trapaceamos,pisamos na bola,declaramos guerra uma com a outra.Mas também temos certas tendências naturais,e aí entram o riso e a loucura,nos damos motivos para gargalhar,e nos desculpamos e nos encontramos em nossas loucuras.Se eu pudesse ver a vida diante de mim(e na verdade posso) eu lhe diria que sinto muito por querer desistir dela certas vezes,e que agradeço por ela ainda não ter desistido de mim também,ela é e sempre foi mais forte que eu,e circula pelas minhas veias,pulsando junto com meu coração.A vejo nas flores,nos homens,nas estrelas mais uma vez,e sobretudo nas crianças,olhei no espelho e me espantei:minha carne está a mostra,mas estou viva,viva de verdade,viva com v maiúsculo,e por alguma razão desconhecida,eu soube que isso era amor.Eu amo a vida.A vida me ama também.Vamos continuar fazendo conosco exatamente o que quisermos,e essa liberdade,recíproca vai me fazer lembrar que não posso deixá-la escapar assim sem mais nem menos.
Pensei que fosse um texto sobre fins e começos,como tantos outros,ou de paixões e momentos,não teriam sido também os primeiros.Mas acabou sendo o que foi,um texto sobre estrelas,um pedido de desculpas e uma resposta boa no final,antes de por nesta frase um ponto final,vou contar um segredo,algo me fez sentir aqui por dentro,a resposta foi sim.
https://www.youtube.com/watch?v=jxKjOOR9sPU&list=PL2BFDB9D2BBF9B3FE&index=9
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Visceral
Venho por meio deste lhe agradecer,hoje é um daqueles dias em que é preciso agradecer,e o motivo,foi apenas porque me lembrei disso.Se alguma única vez que eu pensasse em você não sentisse a gratidão que é o que me cabe por tudo que já me fez,por tudo que já me deu,por tudo que sempre foi e é,bem diante dos meus olhos,se houvesse essa vez em que eu ignorasse o fato,acho que realmente não se trataria de mais um caso perdido,mas sim de um caso sem mérito. Com isso não quero dizer que o mereço,mas sim de que faria tudo que já fiz somado a tudo que sonhei,pra tentar dormir tranquila com a certeza de que não desisti de merecer,ainda.
Agora arregaço as mangas,solto um suspiro e engulo o orgulho pra lhe pedir as mais francas desculpas.Desculpa pelas minhas distrações,desculpe o meu jeito_e a falta dele_,desculpe todo o drama que eu invento e o exagero a que me entrego,desculpe por ser tão pesado o que vem tão de leve,desculpe por não conseguir deixá-lo ir,ainda quando eu sinto que seria o melhor pra você,e pra mim,pra nós dois.Insisto no que somos juntos,como uma cega otimista,e quando vale a pena por uma única razão me justifico e sei que vou persistir por um tempo,vendo você repetir meus mais corretos erros.
É que eu não sei não te querer.É que eu sempre quero alguém por perto,alguém do lado,em cima,em baixo,alguém no pensamento. E de repente esse alguém era você há alguns anos,foi você ontem,é agora e a intuição quer me dizer,que amanhã quando o dia clarear,esse alguém continuará sendo ninguém menos (e nem mais) que você.
Mas meu bem eu te prometo,e me juro.A você faço a promessa,porque se quebrar (visto que promessas são como jarros de barro fáceis de fazer e fáceis de quebrar) não me odiarei para sempre,mas é um compromisso com a palavra e na intenção que é verídica de que ela se cumpra.A mim faço a jura,porque não posso me permitir a falha mais uma vez,e se acontecer,vou me perdoar,mas viver com as marcas das minhas juras e o peso da frustração.O que é que nos ofereço é que:vou me desapegar de você,vou praticamente te esquecer,para aprender a amá-lo como se deve.Terei-lhe apreço,sentirei por ti desejo,mas aos pouquinhos quero vê-lo como realmente és,sem todas as ''firulas'' e fantasias que coloquei na sua imagem,não é sua culpa minhas pretensões malucas,eu vou meu bem,te amar como és de fato,e se se perder por completo o encanto,terei amado,e ninguém no mundo vai poder dizer que querer bem a alguém é algo errado.
Agora arregaço as mangas,solto um suspiro e engulo o orgulho pra lhe pedir as mais francas desculpas.Desculpa pelas minhas distrações,desculpe o meu jeito_e a falta dele_,desculpe todo o drama que eu invento e o exagero a que me entrego,desculpe por ser tão pesado o que vem tão de leve,desculpe por não conseguir deixá-lo ir,ainda quando eu sinto que seria o melhor pra você,e pra mim,pra nós dois.Insisto no que somos juntos,como uma cega otimista,e quando vale a pena por uma única razão me justifico e sei que vou persistir por um tempo,vendo você repetir meus mais corretos erros.
É que eu não sei não te querer.É que eu sempre quero alguém por perto,alguém do lado,em cima,em baixo,alguém no pensamento. E de repente esse alguém era você há alguns anos,foi você ontem,é agora e a intuição quer me dizer,que amanhã quando o dia clarear,esse alguém continuará sendo ninguém menos (e nem mais) que você.
Mas meu bem eu te prometo,e me juro.A você faço a promessa,porque se quebrar (visto que promessas são como jarros de barro fáceis de fazer e fáceis de quebrar) não me odiarei para sempre,mas é um compromisso com a palavra e na intenção que é verídica de que ela se cumpra.A mim faço a jura,porque não posso me permitir a falha mais uma vez,e se acontecer,vou me perdoar,mas viver com as marcas das minhas juras e o peso da frustração.O que é que nos ofereço é que:vou me desapegar de você,vou praticamente te esquecer,para aprender a amá-lo como se deve.Terei-lhe apreço,sentirei por ti desejo,mas aos pouquinhos quero vê-lo como realmente és,sem todas as ''firulas'' e fantasias que coloquei na sua imagem,não é sua culpa minhas pretensões malucas,eu vou meu bem,te amar como és de fato,e se se perder por completo o encanto,terei amado,e ninguém no mundo vai poder dizer que querer bem a alguém é algo errado.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Boa sorte !
Não sei precisar ao certo quanto tempo passei apenas olhando
para a folha em branco. Não era a primeira vez que isso me acontecia e estou
certa de que não terá sido a última, mas ainda assim me choca no fundo um
pouquinho o como toda vez que quero falar sobre isso tenho tanta coisa a dizer
e tanta dificuldade em fazê-lo de uma vez por todas.
Você pode achar que meu convívio com as palavras por todos
esses anos tornaria tudo mais simples_ eu também já pensei que sim um dia_ mas
neste caso, nada do que eu vi, nada do que me disseram, nada que me contaram os
livros e todas as frases que colocaram em minha boca, eu repito, nada me ajuda
a chegar onde quero.
Como de costume as duas lágrimas, uma de cada canto do olho,
mas não tenho certeza ainda qual emoção carregam. Consigo distinguir um
tantinho de felicidade, uma dose de tristeza e outras duas de saudade, aquele
jeito de sentir falta sem querer exatamente de volta, aquela forma de querer
bem sem dar a si o privilégio de ser o motivo.
E eu que costumava achar que havia um certo ponto em que as
distâncias entre as pessoas não poderiam mais aumentar, pra variar, estava
enganada, a propósito, se eis algo em que sou boa de fato é nisso: equívocos.
Boa sorte, seja lá como for , seja lá pra onde for, seja
pela razão que tiver que ser. Espero que saiba bem o seu caminho e se não
souber que a sorte lhe aguarde. Espero que seja um belo destino, aonde estiver
torcerei por você.
E como colocar uma peça de quebra cabeça que se encaixe com
todas as outra mas não possua o mesmo desenho, coloco no parágrafo anterior o
que todos os outros não puderam e todos os próximos jamais poderão exprimir
melhor.
No fim não tem mistério, acabar não tem segredos, é só
alguma frase intrometida que soe bem e um ponto final que será da plenitude o
que se possa chegar mais perto (salvo quando ele se prolonga em mais dois
pontinhos perpetuando intermináveis reticências _ malditas reticências que são
na verdade onde vivo a maior parte do tempo_)
Fique bem. Te desejo o bem. E que acima de tudo , o bem também lhe queira ,
domingo, 4 de maio de 2014
Correria
Eu não sei se é certo fazer como faço, um momento de loucura
sóbria entre um milhão de conscientes loucuras. Loucura consciente é aceitar
que nada é fácil e acordar mesmo tendo sono,levantar mesmo tendo preguiça,é
agir mesmo estando desmotivado,é cumprir horários mesmo tendo que correr para
não se atrasar.Loucura é repetir pra si mesmo que as coisas são assim e que
assim vão ser,é pagar caro por coisas que não valem nada, é aceitar calado por
gritos que não se merecia ouvir, é respeitar regras que não fazem sentido,
imitar atitudes que não combinam consigo, loucura é existir sem viver ,tomando
goles de café e fazendo contas das contas a se pagar.
Mas loucura sóbria é outra coisa, é quando a gente ignora as
conversas vazias, é quando a gente engole as palavras duras mas as coloca em um
lugar dentro de nós onde elas deixam de importar imediatamente após o momento
em que são ditas.Loucura consciente talvez seja uma dose a mais, um sorriso
verdadeiro , é uma música que tocou na rádio e a gente aumenta o volume pra
cantar junto. Loucura consciente é escrever,é acreditar que por algum motivo,não
importa o quanto as coisas estejam duras,difíceis e confusas,tudo vai dar
certo,simplesmente porque tem que dar. Loucura consciente é deixar acontecer, é
não levar em conta o dia pesado e simplesmente deitar a cabeça no travesseiro e
dormir,e sonhar,e perder o horário,e correr rindo de si mesmo com a camisa
manchada de café.
A tênue diferença que separa as duas loucuras das quais
falei não é necessariamente que uma seja seguir e na outra quebrar uma rotina,viver é
naturalmente a quebra e o seguimento de ciclos,novos e velhos,a ordem do mundo
é ter o seu sistema e depois quebrá-lo quando assim lhe aprazer. A diferença está em que ao se despir de si,
apenas para fazer o que tem que ser feito,da maneira como todos fazem,e não
como você é,como se sente,como faria se ninguém o estivesse observando,você
está limitando o viver a existir,está enlouquecendo sem saber,e concordar com o
fato de que o respirar e o bater
contínuo de seu próprio coração são um câncer,um vazio que cresce até que se
feche os olhos para sempre,sem sentir o luto de estar morrendo,e nem celebrar a
dádiva do viver que ainda lhe é permitido.
A loucura sóbria é fazer sim o que for necessário,talvez
dançar mesmo conforme toca a música,mas do seu jeito,no seu tempo,é se dar o
direito de ser feliz em meio a isso tudo,é tentar arduamente até encontrar uma
maneira de ficar contente em meio a esse caos diário com que se tem que
coexistir.
Ter coragem de fazer aquilo que queremos,de propósito,é ser
são ainda que maluco,é ser alegre ainda que perturbado,é viver mesmo com uma
dor de cabeça,boletos e prazos te matando. Não tem problema perder a paz,a paz
embora poucos saibam não é algo para se ter e guardar,mas sim algo para
alcançar e sentir,até perder e ter que buscar por ela de novo.O equilíbrio é
algo que se tem depois de milhares de combinações,fracassadas,meio e bem
sucedidas. Não há mal nenhum em entender o mundo,sem sucumbir a ele.
Me proponho a opção de ser feliz,e,prometo que farei feliz
também sempre que puder.Eu vou ser tola para os sérios,infantil para os fechados,invisível
aos soberbos e querida por quem vier a me querer,com todos os defeitos que
tenho e qualidades que deixo de ter,mas vou ser eu,cantando pras paredes ou
para uma multidão,aos prantos numa noite de domingo ou as gargalhadas numa
quinta feira de madrugada,vou ser eu,com toda a minha solidão,inteira ou
disfarçada nos braços de alguém.Só quero ser feliz,vou ser mais conscientemente
louca também.
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